29 nov 2012

Yes, we have Black Friday too!

Por: Alexandre Caraccio, prof. de marketing e planejamento estratégico da ESAGS

Alexandre Caraccio

Depois de importarmos dos EUA o Halloween, agora temos para valer a Black Friday, que ocorre normalmente após o dia de Ação de Graças norteamericano inaugurando a temporada de compras natalinas. Presente há 3 anos no Brasil, desta vez, houve muito mais alvoroço e exposição dessa megapromoção por aqui.

Uma das coisas que chamou atenção foi o despreparo dos sites brasileiros para tamanha demanda. Houve vários apagões, o que frustrou os consumidores. É como se fossemos a uma loja física e ela estivesse fechada, em pleno horário de funcionamento, ou aberta e sem ninguém para nos atender e receber o pagamento. Surreal.

Há uma necessidade e dificuldade das empresas se prepararem adequadamente para a real demanda. Não adianta ficar cutucando o leão (no caso o consumidor) com vara curta e não ter o canal de vendas preparado para uma invasão de consumidores ávidos por compras.

Pior ainda foi a falta de ética em vários casos. Ficou explícita uma artimanha, uma técnica, para não usar outro termo, de aumentar o preço um pouco antes do início das vendas e assim, com a remarcação, levar o consumidor a acreditar que se tratava de um megadesconto.

Mexer com as percepções das pessoas é uma coisa, e a linha com a mentira e desonestidade é tênue. Isso obviamente é inadmissível, e organismos de proteção ao consumidor estão sendo acionados a fim de tomar providências contra alguns varejistas.

A falta de ética no mundo dos negócios e no marketing é notável. Vender sim, mas não a qualquer custo a fim de confundir o consumidor. Por essas e outras razões que tanta gente usa erroneamente o termo “isso é marketing” como sinônimo de mentira e enganação. São condutas que devemos rechaçar por denegrir a imagem dos profissionais da área responsáveis por planejar, executar estratégias e táticas para oferecer produtos e serviços que agreguem valor aos consumidores.

Mas o que seria do marketing sem o consumo? Lógico que não quero radicalizar. Da mesma forma que tem a Black Friday há o Buy Nothing Day, dia internacional contra o consumismo, que ocorre no último sábado de novembro. Forças contrárias num mundo dialético.

O importante é que o consumo seja consciente e a pessoa não compre por puro impulso ou aprovação com os outros. Isso porque, muitas vezes, compramos coisas que não precisamos, com o dinheiro que não temos, para impressionar pessoas que não nos importam ou não se importam conosco. Nada mais verdadeiro. Comprar é bacana, mas com limites. Há empresas que começam inclusive a explorar isso, quase que numa relação antagônica ao seu negócio, pelo menos aparentemente. Mas isso fica para o próximo texto. Um abraço.

2 comentários

  1. Angela La Nieta disse:

    Muito bom ! texto inteligente e consciente. Parabéns

  2. Felippe disse:

    Conheço esse profissional e é impressionante como o texto dele é afinado com as percepções de consumidores como eu.

    Parabéns Alexandre

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