18 fev 2013

Y: o mundo lá fora não é justo sempre nem parece como no Facebook

Por: Marcelo Miranda, mestre em Administração de Empresas pela STANFORD Graduate School of Business (Sloan) e autor do Blog CeoS do Futuro, da revista Você S/A

Três leitores me enviaram e-mails recentemente colocando sua “revolta” e “indignação” com os chefes e as empresas em que trabalham, pois segundo eles têm se dedicado e têm performado bem em suas tarefas mas não têm sido reconhecidos nem promovidos. Estão “plantando” e não vendo a colheita.

Primeiro fato: o mundo não é igual ao Facebook onde tudo é perfeito, onde todos pensam nos outros, as idéias são geniais e onde os sorrisos predominam sempre. Muito menos o mundo profissional não é igual as descrições generosas das empresas e dos profissionais nas recomendações que existem no Linkedin.

Mas como explicar isso? Peço ajuda aos meus amigos psicólogos, não sou da área mas sou um curioso por recursos humanos e comportamento humano, e lembro ter lido uma vez um trabalho da década de 80 de Melvin Lerner sobre a hipótese do mundo justo.

Esse trabalho consiste em mostrar que as pessoas tendem a acreditar em um mundo justo, previsível , compreensível e controlável. Vem daí expressões populares como “você colhe o que você planta”. Atitudes e comportamentos têm consequências previsíveis e determinadas. Isso traz as pessoas o sentimento de inclusão em um mundo em que podem fazer e terão as respostas. Para o bem e para o mal. Experiências mostraram que em um grupo em que as pessoas sofreram punições aleatórias a qualquer atitude, o grupo tendeu a justificar as punições buscando classificar de forma pior os que foram punidos por algum motivo, ficando estigmatizados. O contrário também é verdadeiro, quando a pessoa é bem sucedida em alguma coisa seja por sorte ou competência, o grupo tende a justificar e buscar outras qualidades que fizeram aquele sucesso acontecer .

Este modelo, que muitas vezes dá conforto e sentimento de inclusão às pessoas, por outro lado traz muito desconforto quando as coisas não acontecem como previsto. É o sentimento do “não é justo”. E é assim também na vida profissional. Este é o caso dos leitores que enviaram mensagens de profunda irritação e chateação por estarem fazendo o seu melhor, trabalhando muito, mas não são reconhecidos. E, pela hipótese do mundo justo, seria previsto ter retorno já que houve dedicação ao trabalho. Mas, o sentimento de que se fizermos o certo tecnicamente seremos recompensados e reconhecidos nem sempre é linear na prática.

De fato, nem sempre o mundo é justo, em muitas das vezes é imperfeito. Mas o que fazer então na carreira? Não adianta trabalhar duro? Pelo contrário, tem de dar duro sim, a base de tudo é sim uma boa performance sempre. Mas não é suficiente. Quanto mais cedo você perceber que o modelo de mundo justo não é contínuo e estiver apto a ser mais pró-ativo a buscar seu próprio caminho de sucesso considerando nesse caminho outras variáveis (sempre discutidas aqui nesse blog) como comunicação, relacionamento interpessoal, relações de poder, liderança, etc.. maior será o seu auto-conhecimento e capacidade de reagir em situações de desafio.

O sucesso como crescimento profissional é uma combinação do desempenho técnico com fatores comportamentais e gerenciais. Não dê desculpas. Não fique lamentando. A única pessoa responsável por seu crescimento profissional é você, então arregace as mangas e procure desenvolver essas outras variáveis que podem estar faltando para você crescer.

E você, o que acha sobre o modelo do mundo perfeito e justo, seja nas redes sociais seja nas relações profissionais?

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