29 jan 2014

‘Rolezinhos’ são a polêmica da vez

Pesquisa da FGV mostra que 63% dos ‘rolezeiros’ do Rio de Janeiro têm curso superior,  54% estão com 25 anos ou mais, e 18% apresentam renda de até 2 salários-mínimos. Além disso,  os manifestantes têm perfil diferente dos que participaram dos ‘rolezinhos’ de São Paulo e, na verdade, estão ali em solidariedade ao movimento paulista.

E os ‘rolezinhos’ continuam dando o que falar. Jovens, representantes de shoppings e o Ministério Público Estadual (MPE) se reúnem hoje na prefeitura de São Paulo para discutir o assunto. O objetivo é  tentar intermediar um acordo e  evitar ações judiciais contra a organização desses eventos. Em Brasília, o tema de um encontro na Secretaria Geral da Previdência é o mesmo. Ou seja, não dá pra disfarçar a preocupação que tomou conta de todos em torno da iniciativa, que provoca muita polêmica e opiniões controversas.

Os ‘rolezinhos’ começaram em São Paulo, em dezembro do ano passado,  e depois se espalharam por outros locais, como Rio de Janeiro e Brasília. São encontros marcados pela internet por adolescentes, quase sempre em áreas de shoppings.

Mas quem são os ‘rolezeiros’?

Em São Paulo, normalmente os participantes são jovens pobres, a maioria negros, querendo se divertir. No começo, os eventos eram convocados por cantores de funk, em resposta a um projeto de lei que proibia bailes do estilo musical nas ruas da capital paulista.

Incomodada com a multidão de jovens cantando refrões de funk ostentação nos corredores, a direção de seis shoppings paulistanos tiveram o respaldo de decisão judicial para fazer a triagem de clientes. A repressão policial aos participantes também gerou repercussão.

Os eventos continuam a ser promovidos, mas agora por todo o País, como forma de protesto contra o preconceito e segregação social.

Pesquisa da FGV aponta perfil de ‘rolezeiro’ carioca
e diferenças com o paulista

“Os manifestantes têm perfil diferente dos que participaram dos ‘rolezinhos’ de São Paulo e, na verdade, vieram ali em solidariedade ao movimento de São Paulo”, explica o diretor da FGV/DAPP, Marco Aurélio Ruediger, em entrevista ao jornal O Globo

Pesquisa da diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre o perfil dos manifestantes do Rio de Janeiro revelou que 54% dos ‘rolezeiros’ cariocas têm 25 anos ou mais, 63% possuem curso superior completo ou incompleto, a maioria mora na Zona Sul e, pelo menos, a metade frequenta shoppings.

As entrevistas foram feitas no último domingo com 260 dos 300 manifestantes que se concentraram na frente do Shopping Leblon. Segundo os resultados, 62% dos participantes eram do sexo masculino mas, bem diferente do movimento em São Paulo ( onde a maioria dos participantes é de jovens da periferia), no caso do Rio, apenas 39% moram em comunidades e 18% têm renda de até dois salários-mínimos (R$ 1.448,00).

Política - A pesquisa indicou ainda um crescimento de motivações políticas na organização do ‘rolezinho’ carioca: 84% afirmaram ter interesse por política, mas não se sintam representados pelos políticos atuais (88%). Além disso, 77% disseram que “protestar” foi a motivação para ir ao evento e 3,5% afirmaram ser esta a segunda motivação. Ainda pelos resultados, 44% se disseram motivados pelo apoio ao ‘rolezinho’ de São Paulo, enquanto 29% foram para protestar contra a discriminação em relação aos pobres e 19% pela discriminação racial.

Solidariedade - Segundo o diretor do DAPP, o sociólogo Marco Aurélio Ruidiger, os manifestantes têm perfil diferente dos que participaram dos ‘rolezinhos’ de São Paulo. “Na verdade, eles foram ali em solidariedade ao movimento de São Paulo. A rede vem acabando com o bairrismo e unindo pessoas em torno de interesses difusos como o de se manifestar, o direito ao consumo e na cobrança da qualificação dos serviços públicos”.

Objetivo - De acordo com Ruediger, o objetivo do estudo foi analisar o novo fenômeno. “Há um grupo que não é grande, mas tem uma visão mais radicalizada, não quer fazer uma grande manifestação, mas encontra formas de conseguir capitalizar a atenção e de reverberar pequenos atos no cotidiano. Este tipo de protesto é novo no Brasil, mas lembra os Estados Unidos na luta pelos direitos civis”, exemplifica o pesquisador. “O mesmo ocorre no shopping. Embora o protesto não seja agressivo, agride porque incomoda. Você está em seu momento de lazer, quando um grupo passa protestando por direitos”.

Bom-senso - A verdade é que as opiniões se dividem sobre o assunto. Uns acham que é baderna, outros que é liberdade de expressão e de ir e vir, alguns que juram ser racismo. Fato é que é preciso chegar a um consenso, no qual a máxima “meu direito termina onde começa o seu” seja respeitada. Esperemos os próximos capítulos da novela ‘rolezinho’.

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