24 mai 2016

Presidente da MSC do Brasil fala sobre liderança e motivação na Strong Santos

Elber Alves Justo é formado em Administração de Empresas, pós-graduado em Portos e Logística e possui MBA pela Fundação Getulio Vargas

Aos 33 anos, o santista Elber Alves Justo tornou-se um dos mais jovens presidentes de empresa do Brasil. A posição foi alcançada de forma rápida e até inesperada, mas consolida uma postura responsável carregada desde os tempos de menino, quando estudava na Escola Municipal Lourdes Ortiz, no bairro Aparecida, em Santos.

Elber, hoje com 41 anos, entrou na Mediterranean Shipping Company (MSC), uma das maiores empresas de logística e de cruzeiros marítimos do mundo, em 1997. Na época tinha 22 anos e alguma experiência como visitador de navios, profissão que havia abraçado aos 18 graças à fluência em dois idiomas, inglês e espanhol.

Começou como auxiliar de operações, basicamente indo para navio de madrugada, sem muito horário. Exatos 11 anos depois, em 2008, alcançava o posto de diretor-presidente da MSC para o Brasil, tendo sob sua responsabilidade mil funcionários e o desafio de dar certo.

E é exatamente pela trajetória de sucesso que Elber é chamado para contar sua história, discorrendo sobre motivação e liderança, em especial para jovens estudantes. Sua mais recente palestra foi para jovens da Strong Esags, em Santos.

“Contar minha história é uma forma de motivar as pessoas. Sou de Santos, estudei o Ensino Fundamental (antigo primário) em escola municipal, a Lourdes Ortiz, no Canal 6, fiz faculdade aqui e consegui chegar numa posição de destaque em uma empresa grande”.

A determinação é, na opinião dele, seu principal diferencial. “Sempre tive, desde que era apenas um estudante. Sabia que precisava me preparar para o futuro e para o que vinha pela frente”.
Quando começou a trabalhar, somou ética à rotina. “Acho que determinação e ética são os dois pontos que me diferenciam”.

Como você analisa o momento do Brasil atual?
Acho que a iniciativa privada tem dado um bom recado a tudo que vem acontecendo. Os empresários que a gente tem no Brasil são muito jovens. É uma geração muito boa, de caras comprometidos em fazer certo e que se preocupam com a sociedade e com os funcionários. Se essa prática fosse transposta para a parte política, pra parte pública, poderíamos ter algum sucesso. Sei que a máquina é um pouco mais pesada, mas eu vejo dessa maneira.
Há várias pessoas da mesma idade que a sua, talvez até com um currículo parecido, que não conseguiram chegar onde você chegou. Qual seria a receita para isso?
A palavra perfeita é foco. Elas têm de ter foco. Primeiro, saber o que querem. Segundo, saber medir um pouco as novas ambições e os próprios sonhos.
Como assim?
Se você perguntar pra mim, que estou na empresa há 19 anos, se nos primeiros 10 anos e meio, em algum momento, eu pensei em me tornar presidente, mesmo tendo subido de posição a cada um, dois anos, a resposta é não. Eu nunca pensei em ser diretor-presidente.
Como você entrou na MSC?
Entrei como auxiliar de operações, basicamente indo para navio de madrugada, sem muito horário. Nunca vislumbrei um objetivo muito além do que aquele imediato.
Ou seja, o que estivesse mais próximo do cargo que você estava ocupando?
Isso mesmo… Talvez um aumento de salário, talvez uma pequena promoção. Ou talvez um curso, um reconhecimento. Alguma coisa desse gênero, não me tornar diretor-presidente, ser promovido para o lugar do meu chefe.
E como foi essa experiência?
Isso nunca passou pela minha cabeça, mas foi exatamente o que aconteceu muitas vezes. Eu já virei chefe do chefe dentro da empresa, principalmente porque trabalho lá há 20 anos. E hoje temos um relacionamento ótimo. Então, por isso eu acho que foco é fundamental.
O que mais, além de foco?
Tem ainda um ponto mais difícil e mais subjetivo, que é a autocrítica. Saber realmente qual é seu potencial e onde é possível chegar. Porque muitas vezes a gente se sente injustiçado. Pô, eu merecia, pô eu deveria… Será que eu me esforcei o suficiente? Será que eu tenho perfil para aquilo?
E como é ser promovido a presidente de uma grande empresa?
Às vezes você pode ser promovido e não ver isso como uma boa notícia, porque o fardo de ser presidente é muito grande, as responsabilidades são muito grandes. É lógico que é legal. Eu adoro o que eu faço, mas é bem pesado, não é uma coisa simples. Acho que o segredo é foco e tentar se preparar desde o começo.
E como a pessoa se motiva hoje, num cenário como o que estamos?
O cenário é a gente que faz. No que o cenário impacta efetivamente no seu dia a dia, no trabalho? Tem certeza que se o Renan Calheiros e o Waldir Maranhão são os presidentes do Senado e da Câmara ou se fossem outros caras isso mudaria seu dia a dia? No que afetou a sua vida, no último mês, a troca do Cunha pelo Waldir Maranhão? Não mudou. Então também é muito aquilo pelo que você se deixa influenciar.
Isso quer dizer que, em certos momentos, determinadas situações são as que mais te motivam?
Não sei se motivam. Mas deveriam motivar. Nós vivemos num país de oportunidades. É um país que vai crescer. Ele precisa e vai continuar crescendo. O fato de vermos que há tanta coisa pra fazer só é bom para a gente. Somos um país jovem, que ainda tem potencial de crescimento.
Você acha que vai melhorar?
A partir do momento que essa situação política e econômica ficar resolvida a gente vai entrar em investimento e vai voltar a crescer. Tomamos um balde de água fria, mas vimos que não estava tudo tão bem. A geração mais jovem, nos últimos dez anos, de uma certa maneira ficou muito mal acostumada ou foi iludida por uma falsa estabilidade que nunca existiu. E aí, essas pessoas que estavam tranquilas e sempre tiveram trabalho à vontade, hoje se veem numa situação em que já não está tão fácil assim. Essas pessoas também não se prepararam e não estão tão prontas para o mercado de trabalho.
Como você enxerga a necessidade de, num momento como esse, estar capacitado e não parar de se qualificar?
Porque, às vezes, é justamente o que a pessoa corta num momento de crise.
Esse é um problema que tentamos corrigir internamente dentro da empresa. Tentamos cobrir esse gap, suprir essa falta de capacitação.
E você percebe isso no dia a dia?
Percebo. Mas, ao mesmo tempo, vejo um pessoal que, se dado o desafio, enxerga que tem possibilidade. Ou seja, é uma geração que vai te retribuir.
Quantos funcionários você comanda?
Mil.
Você, como líder, consegue identificar funcionários mais criativos ou aqueles que precisam acordar? Dá tempo disso?
É muito difícil. Para isso é preciso ter um bom grupo na área de Recursos Humanos. Contamos muito com os gerentes. Cada gestor tem de prestar atenção em quem está no campo de visão e trazer esses talentos à tona. Assim como ajudar aqueles que têm um pouco mais de dificuldade. Afinal, a empresa é feita de todo mundo. Não dá pra ter um time só de atacantes. Precisamos de atacantes, goleiro e zagueiro. Esse é o grande desafio de ser gestor de uma empresa desse tamanho. É preciso entender a capacidade de cada grupo, diferenciar cada um deles e colocá-los na função adequada. Porque, no final, você precisa de todo mundo.
Muitas empresas estão quebrando, fechando, se reestruturando, demitindo pra poder se manter no mercado. O melhor jeito de se resguardar em tempos de crise é recuar ou atacar?
Essa é uma pergunta que não dá pra ter uma resposta única, porque cada empresa tem uma situação, cada segmento tem uma situação, e cada uma delas vive um momento. Não sei se para as empresas que estão fechando ou se reestruturando significa recuar.
Como assim?
Às vezes não há opção. Às vezes ela quebra e não tem opção. Não é que ela recuou, ela não conseguiu. Poderia estar até avançando e, por isso, quebrou. Mas acho que a gente precisa se acostumar e entender que a necessidade de readequação, de rever processos, de fazer mais com menos, de se reavaliar tem de ser constante. Independentemente se está tudo bem ou tudo mal. Isso é importante sempre. E acho que é muito mais fácil fazer quando está tudo bem.
Por que se cria uma margem de segurança?
Isso mesmo. Você já está trabalhando da melhor maneira possível, você já está maximizando os resultados. Agora, deixar pra fazer isso nesse momento é fazer com a espada no pescoço. Já faz sendo obrigado a fazer. Então, é um grande desafio.
E como enfrentar?
Não acho que parar e olhar para dentro da empresa e em como as coisas estão sendo feitas, até pensando numa reorganização para ser mais eficiente, signifique recuar. Acho que isso, talvez, signifique avançar. Não acho que ter menos pessoas signifique dizer que você está trabalhando pior, talvez você tenha pessoas mais produtivas. Então, os resultados não são tão medidos por isso.
E quando a empresa fecha?
A empresa fechar é resultado de uma conjuntura negativa. É claro que ninguém fecha porque quer. Tem várias empresas fechando? Tem. E eu não acho que isso vá melhorar em curto espaço de tempo.
Qual a luz do fim do túnel que você mostra para esses jovens que te ouvem nas palestras, nas escolas e faculdades?
Talvez a luz no fim do túnel que eu possa dar seja o meu exemplo. Veja meu perfil… Vamos pensar que ele seja uma equação matemática. O resultado é ser presidente da MSC do Brasil? Claro que não. Então, por que não? Qualquer um pode. O que a gente precisa é talvez algumas prerrogativas dessa equação que a gente acha que sabe, mas não sabe. Então, não se limite. Ah, eu estudei em Santos… Tá, e daí?
Mas você saiu daqui…
Eu tive de trabalhar em São Paulo em algum momento. Acho que as pessoas não podem se privar de nada. Tem uma oportunidade, agarre. Acredite em você mesmo. Cada um tem de buscar aquilo que gosta, que faz feliz. Tem de buscar a motivação no dia a dia. Eu era feliz trabalhando de madrugada nos navios e também sou feliz agora.
Qual a diferença entre ontem e hoje?
Adversidades acontecem todos os dias. A diferença de hoje pra ontem é que os sapos são maiores, mas engulo do mesmo jeito. Talvez sejam mais raros, venham com menos frequência, mas eles vêm. Não sou imune a isso. Tenho meus dias ruins, dias em que não estou animado ou motivado, mas é preciso buscar essa motivação. Minha história, para esses jovens, pode significar exatamente isso. Motivação.

A Strong promove constantemente palestras, cursos e lançamentos sempre com o objetivo de disseminar informação e conhecimento, além de promover discussões sobre os principais assuntos nas áreas de negócios, comércio exterior, economia, marketing, entre outros.
“Nossa responsabilidade é oferecer às pessoas conhecimento sobre os mais variados temas, com profissionais renomados e qualificados. Melhor ainda porque palestras desse tipo costumam ser muito caras e na Strong têm apenas o custo social, já que tudo que arrecadamos é doado para entidades assistenciais da região. É uma oportunidade única”, diz o diretor-executivo da Strong Educacional, Sergio Tadeu Ribeiro.

Entrevista concedida a Rosa Santos

Deixe seu comentário