07 fev 2015

O mercado x Aldemir Bendine

Aldemir Bendine substituirá Graça Foster com a tarefa de devolver credibilidade à imagem da Petrobras

Por Eduardo Becker

O tão aguardado anúncio do novo CEO da Petrobras frustrou as expectativas de mercado, vide a forte retração das ações no dia de hoje. Seria precipitado comentar sobre como será o perfil de gestão de Aldemir Bendine à frente da estatal. Isso só o futuro nos dirá. Contudo, é fato que o nome não agradou o mercado neste momento. Mas por quê?

Em primeiro lugar, o que seria esta entidade chamada mercado? Por que sua opinião é tão importante? É certo ouvir o que “ele” nos diz? Pois bem, mercado nada mais é do que o conjunto de agentes econômicos da economia. Ou seja, empresas, consumidores, investidores e demais agentes do setor privado fazem parte do mercado.

Assim como nós, pessoas físicas, o mercado também cria expectativas com relação ao futuro. Por exemplo, quando nossas expectativas com relação a algum acontecimento futuro não acontece, nós nos frustramos não é verdade? Analogamente, ocorre o mesmo com o tal “mercado”.

Neste sentido, era consenso que o mercado esperasse algum nome de significativa expressão em termos de governança corporativa, relativamente blindado de ingerência política, de forma a recuperar a credibilidade (e as contas) da empresa.
 O mercado sonhou com Agnelli (ex-Vale), Meirelles (ex-Bacen e atual holding da JBS) ou Paulo Leme (Goldman Sachs) e acordou com Aldemir Bendine (ex-BB). Esta é a triste realidade. Daí a explicação para a forte queda no preço das ações mencionada acima.

Além de Bendine ter ficado famoso pelo escândalo dos empréstimos em benefício da apresentadora Val Marchiori e citado por problemas recentes com o Fisco, também não podemos esquecer que até ontem trabalhava para outra estatal brasileira, o Banco do Brasil (o qual foi inclusive alvo de ingerência política sob sua gestão). Desse modo, era mais do que óbvio que este nome não agradaria o mercado, dado que não fica difícil constatar que parece ter havido uma troca de seis por meia dúzia.

E agora, o que fazer? Nos resta como cidadãos torcer (rezar?) para que o tão poderoso mercado esteja enganado desta vez (o que particularmente acho muito improvável), de modo que o contágio político e econômico enfraqueça e minimize o risco de uma recessão ainda maior. Todavia, caso o mercado esteja certo, será difícil prever quão profundo será a descida rumo ao fundo do poço.

Eduardo Becker é mestre em Economia pela Unesp e economista pela USP. Atualmente é coordenador dos cursos de Administração de Empresas e Ciências Econômicas da Strong Escola Superior de Administração e Gestão (Strong ESAGS), unidades Baixada Santista e Santo André, e professor da rede FGV-Management. Sua experiência profissional inclui o cargo de economista do Ministério Público do Estado de São Paulo, gestão de microempresas e mais de 10 anos de docência em cursos de Administração, Economia e Contabilidade.

Deixe seu comentário