09 out 2012

O CEO da Ferrovia

Aos 44 anos, José Luis Demeterco tem um currículo invejável que começou nos negócios da família, o Supermercado Mercadorama, um dos maiores do Sul do País. Hoje, ele comanda a Brado Logística, uma das maiores operadoras logísticas por ferrovias no Brasil e em países vizinhos, como a Argentina, além de manter parceria com a ALL Logística, maior da América do Sul

José Luis Demeterco, CEO da Brado

José Luis Demeterco Neto, 44 anos, carrega o sobrenome de uma família de sucesso, fundadora do supermercado Mercadorama, um dos maiores do Estado do Paraná, onde foi gerente de marketing e logística. A rede foi adquirida, em 1998, pelo grupo português Sonae e, tempos depois, vendida para o gigante americano Wal-Mart.

Demeterco herdou ainda o espírito empreendedor e a paixão por negócios, especialmente operações ligadas à área logística. Tanto que participou da fundação da Standard Logística – união entre os sócios das holdings Deminvest e Markinvest – operadora logística de cargas frigorificadas na região Sul, e da Brado Logística, fusão formalizada em 2011 entre a Standard, experiente no mercado de varejo, e a América Latina Logística (ALL), maior empresa independente de serviços de logística pela ferrovia da América do Sul.

A aliança permitiu as companhias ampliarem a oferta de soluções logísticas, no segmento de contêineres de empresas do varejo no Brasil e na Argentina, inovando a gestão e a administração dos serviços no setor ferroviário.

Formado em Marketing pela Southern Illinois University, nos Estados Unidos, e CEO da Brado, José Luis Demeterco é um líder que ‘bota a mão na massa’ e cobra essa atitude dos mais de 1,5 mil colaboradores da empresa. A receita dessa trajetória de sucesso, segundo ele, é manter o equilíbrio entre os negócios e a família que formou: a esposa e um casal de filhos.

Como surgiu a ideia de criar a Standard?
Sempre fui muito engajado na área logística do Mercadorama, quando notei que o segmento de transporte de cargas frigorificadas era deficiente, com pouca inovação no Brasil e no exterior, e o percurso pela rodovia era fragmentado, informal, além de competitivo. Quando criamos a Standard focamos na armazenagem e distribuição de carga doméstica para grandes clientes do varejo, como o Wal-Mart, Nestlé, Unilever, que continuam sendo nossos clientes. Naquele momento não pensávamos em importação e exportação e sim em posicionar e fortalecer a empresa na região Sul, nas cidades de Curitiba, Porto Alegre e Itajaí, onde se concentravam 90% da exportação de cargas suínas e bovinas do País.

O fato de a Standard ser uma empresa jovem e atuante em ferrovia, setor em que o Governo Federal não investe como deveria, intimidou no começo? Como driblar essa situação e ter sucesso no mercado?
Não. Sempre buscamos um diferencial, como a armazenagem frigorificada, e a exportação era um negócio que ainda estava acontecendo. E fomos os primeiros a fazer as duas ações: atender o mercado doméstico e exportar os produtos. À medida que a Standard crescia aumentamos o market share e o faturamento inovando em serviços nessa cadeia implementando terminais de contêineres com espaços para distribuição de cargas, armazenagem de contêineres, e estufagemdas cargas que seriam destinadas aos portos da região Sul.

Foi nesse momento que surgiu a parceria com a ALL Logística?
Sim, porque nós armazenávamos a carga, colocávamos no vagão e a ALL transportava, embora o business deles fosse diferente do nosso, pois eles transportavam cargas a granel e nós em contêineres, e a ALL queria um parceiro nesse nicho para expandir os negócios. Foi então que surgiu a parceria e formamos a Brado.

Quais as principais mudanças com a fusão?
Sempre buscamos a inovação e maior competitividade no movimento de cargas e a fusão promoveu a perpetuidade e o crescimento da empresa, a satisfação dos nossos colaboradores e acelerou o uso da ferrovia como modal de transporte de contêineres pulverizando esta alternativa para todo o mercado.

O que foi mais difícil ao longo dessa trajetória profissional, quais os aprendizados e dificuldades?
A área logística das empresas sempre foi fascinante, gostava de estar envolvido nos procedimentos e segui a carreira. O mais ‘divertido’ foi lidar com as pessoas, um exercício no qual me dediquei. E encontrar o equilíbrio entre os negócios e a família é o mais desafiador, porque a construção de um negócio é algo muito sedutor.

As empresas têm sentido e divulgado que falta de mão de obra qualificada para diversos cargos. Como a Brado lida com os jovens na empresa e a formação de profissionais?
Sou a favor da gestão por talento e não por decreto, onde o cara chega com um diploma embaixo do braço e não quer por a mão na massa. Embora a gente incentive o estudo e a formação profissional, valorizamos aqueles que demonstram entrega e estejam alinhados com a cultura da empresa. Temos casos de superintendentes e diretores-regionais com 30 anos de idade e mais de 13 anos de casa. Além disso, em junho deste ano criamos o ‘Talentos Brado’, um programa de desenvolvimento e retenção que prepara os colaboradores para atuarem à frente das gerências das unidades e corredores intermodais da companhia, com o apoio do Programa “Gestão 4X4”, treinamento em formato de workshop, do FAE Centro Universitário, de Curitiba.

E como os jovens devem se preparar para o mercado de trabalho, quais as dicas?
Fazer uma graduação vai torná-lo um profissional de sucesso, quem ficar só no operacional vai ficar estagnado. O importante é que ‘caia na quiçaçá’, ponha a mão na massa, não pule etapas, aprenda desde o básico até a gestão e tente se adiantar no que vai acontecer no mercado. Por fim, seja empreendedor dentro da empresa, não tenha medo de ousar e errar.

 

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1 comentário

  1. Jonata de souza lima disse:

    sou colaborador da brado logística na US de Cambé no paraná sou encarregado de operações e me dedico ao máximo para fazer meu melhor pois entrei aqui como conferente e em 8 meses consegui uma promoção e continuo a estudar pois aqui, sei que tenho chances de crescimento profissional e pessoal e com essa palavras do CEO fico ainda mais empolgado para continuar meu trabalho.

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