29 out 2013

Frangó: o rei da coxinha paulista

Conheça o início da lanchonete paulistana que vende a coxinha mais famosa da cidade. E que teve as mãos de Cássio Piccolo, um ex-músico de jazz.

Quem mora em São Paulo, capital, conhece ou pelo menos já ouviu falar do O Frangó. A lanchonete ficou famosa com suas maravilhosas coxinhas, desejadas por muitos paulistanos ou quem está apenas de passagem.

Mas você sabia que o sucesso do lugar começou por um ex-músico de jazz? Na ocasião da abertura, deixar o emprego para assistir um festival de jazz transformou a vida de Cássio Piccolo.

Vinte e cinco anos após o episódio, ele não se arrepende. A demissão o conduziu ao Frangó, estabelecimento que ele ajudou a erguer e transformar em um dos bares mais tradicionais de São Paulo.

“Quando eu entrei ainda era uma rotisseria, um negócio minúsculo que meu pai e meu irmão estavam iniciando”, conta o empresário que, na época, não tinha noções de administração ou experiência no setor.

Inspirado em livros sobre marketing, gestão e na filosofia sofista, Piccolo passou a introduzir melhorias na pequena loja localizada na Freguesia do Ó, bairro da capital paulista. “Eu tentava descobrir de uma forma mais desapegada o que o cliente queria”, diz.

O trabalho de observação funcionou. Aos poucos o Frangó passou a oferecer petiscos e bebidas aos clientes que aguardavam de pé o até então único prato vendido na casa: frango grelhado. “As pessoas esperavam o pedido em qualquer lugar, até sentadas em caixa de cerveja. Vendo isso, começamos a vender coxinhas como um aperitivo de espera”, relembra.

O sucesso foi imediato. O fato dos salgados serem feitos e servidos na hora agradou a clientela. Ter um tamanho intermediário entre a coxinha tradicional e as servidas em festas também diminuiu a culpa que as pessoas sentiam ao comer a fritura. “A história da coxinha se divide em antes e depois do Frangó”, analisa o empresário. “Nós fizemos escola e hoje ela é conhecida em lugares que nem imaginamos”, conta.

O outro trunfo do bar são as cervejas. A carta de bebidas, a maior do Brasil, conta com cerca de 300 marcas. “No fim da década de 80 não tínhamos muitas opções. A expansão do mercado de cervejas era uma questão de tempo”, diz Piccolo.

O sucesso do Frangó desperta interesse em empresários e investidores dispostos a replicar o modelo. No entanto, abrir uma filial ou virar franquia não faz parte das metas do bar. “As pessoas reverenciam o Frangó e eu fico emocionado com isso. Mas a ideia não é ter vários bares e, sim, um que seja único no mundo”, finaliza.

Cássio Piccolo

Um acerto
O maior acerto do Frangó é também o carro-chefe do bar: a coxinha. Ao optar por não deixar o salgado exposto em uma estufa, o estabelecimento ganhou a confiança dos clientes, que recebem o petisco fresco. O tamanho das unidades também agrada. “Conseguimos chegar no ideal e, assim, as pessoas não sentem culpa por comer fritura.”

Um erro
Incluir feijoada com samba na programação do Frangó não funcionou. O público de frequentadores começou a mudar e antigos clientes reclamaram. A experiência negativa serviu como aprendizado ao empresário Cássio Piccolo. “Aceitar que não deu certo é o melhor a fazer. Um erro não pode virar uma questão pessoal. Isso pode prejudicar um negócio”, diz.

Uma dica
Para iniciar um negócio você deve saber até onde quer chegar com ele. Estreitar o foco ajuda a não perder a direção do que você está fazendo e nem os rumos do empreendimento. “Falar tudo para todos é falar nada para ninguém”, reforça o empresário. O importante é definir metas e seguir um planejamento para não ser surpreendido.

Com informações do Estadao/PME.

Deixe seu comentário