16 jul 2013

Banco Central

Quais são os custos e benefícios da intervenção do Banco Central no mercado cambial? Por Ricardo Hammoud, professor de Economia da ESAGS

O Banco Central atua no mercado de câmbio com o intuito de diminuir a volatilidade da cotação do Real em relação a outras moedas. Ao vender moeda estrangeira (dólar, por exemplo) ele aumenta a oferta de dólar no mercado, diminuindo o valor dessa moeda, valorizando o real. Ao comprar dólar ele aumenta a procura, o dólar fica mais caro e o Real se desvaloriza.

O nosso câmbio é, nominalmente, flutuante, ou seja, deveria valorizar-se ou desvalorizar-se de acordo com a oferta e a procura por moeda estrangeira. O Banco Central ao intervir demasiadamente no mercado cambial pode passar a impressão que quem determina o câmbio é o governo e não o mercado.

Esse é o principal custo da intervenção. Os agentes econômicos (bancos, consumidores, exportadores, importadores, investidores, etc…) podem ficar mais receosos em relação a essas intervenções e isso pode diminuir os investimentos necessários para o país. No entanto, quase todos os Bancos Centrais do mundo atuam no mercado de câmbio de seus respectivos países.

Isso faz com que o câmbio não se desvalorize nem se valorize muito rapidamente. O câmbio, ao se manter relativamente estável, facilita as previsões dos empresários e investidores, aumentando a competitividade da economia. Com isso, a previsibilidade aumenta e com ela, também, os investimentos de longo prazo.

No entanto, delegar muitos poderes a órgãos governamentais pode trazer consequências desastrosas, como é o caso da nossa vizinha Argentina. Lá, o governo e o Banco Central não permitem que a moeda flutue de acordo com a oferta e a procura. Uma flutuação da moeda permite que ocorra uma correção nas contas do país com o exterior, sem intervenção do Banco Central.

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