06 nov 2012

Após fortes turbulências, empresário decola negócio

Para Jorge Bitar, da Helimarte Táxi Aéreo, um negócio da certo quanto você tenta algumas vezes; porque se você desistir na primeira oportunidade você não chega lá.

Que garoto quando criança não sonha em ser piloto de avião pelo menos uma vez? Embora essa não tenha sido a meta de vida e o começo da história profissional de Jorge Bitar Neto, proprietário da Helimarte, a maior frota brasileira de táxi aéreo, ele tinha tino para negócios.

Filho de comerciante, Jorge Bitar graduou-se e teve algumas decepções antes de decolar definitivamente. Formado em administração pela PUC/São Paulo, ele voou pelo país e inovou em um setor que, de imediato, imagina-se apenas contemplar milionários que podem substituir seus carros por helicópteros.

Há 12 anos no mercado, hoje a empresa tem 12 helicópteros com capacidade de 1 a 6 passageiros, e 4 aviões com capacidade para 4 a 9 passageiros nos hangares de Campo de Marte, em São Paulo. Entre os diferenciais estão voos diurnos que sobrevoam a Serra da Cantareira com destino à represa de Mairiporã, onde os passageiros passam uma tarde em um resort, e voos avulsos para noivas que estão a caminho do altar, além de pacotes de horas para médios e grandes executivos que fogem do trânsito caótico de São Paulo.

Na entrevista abaixo, Jorge lembra o início da carreira, apresenta as dificuldades, compartilha os sucessos e orienta quem pretende abrir o próprio negócio.

Como você ingressou no mundo dos negócios?
Sempre sonhei com meu negócio e uma carreira bem sucedida. Desde garoto procurava o que fazer, desde entregar panfletos até limpar vidro de carros. Meu pai tinha um posto de gasolina onde ajudava como frentista e era o que mais ganhava caixinha. (risos) Mas no começo, nada foi fácil. Aos 14 anos, estudava no colégio Caetano de Campos, quando o Banco do Brasil estava recrutando jovens mirins no programa ‘Menor Aprendiz de Serviços Gerais’, em 1984. Fiz vários concursos internos, mas sabia que aquele não era o meu caminho, porque muitas vezes não compreendia muito bem algumas coisas. Foram 12 anos de trabalho em que eu conciliava o banco de manhã, fazia faculdade à tarde e à noite ia para o posto de gasolina ajudar meu pai no caixa. Paralelamente abri pequenos negócios.

Que tipo de negócios?
O 1º foi o autoelétrico com mais um sócio, embora eu não tivesse formação de eletricista e ele sim, mas não foi pra frente. Depois abri uma oficina de eletrônicos, com outro sócio, arrisquei uma fábrica de espuma e até uma choperia, no posto de gasolina, que também não deram certo. Mas foram experiências que me fizeram aprender a negociar com fornecedor, por exemplo.

Como surgiu a aviação em sua vida ?
Um amigo meu que veio da Inglaterra, o André (o Pinguim), me convidou para fazer um curso de piloto de helicóptero. Como eu fazia 200 coisas ao mesmo tempo não aceitei de imediato, mas acabei fazendo embora já tivesse 27 anos e achasse que estava velho. Só que eu não tinha dinheiro para fazer as aulas obrigatórias de voo. O que eu fazia? Comprava ticket restaurante e com a porcentagem das vendas pagava as horas de voo. E foi lá que conheci meu ex-sócio.

E como foi essa aproximação de vocês?
Ele tinha uma sala ao lado da escola. E quando vc quer ser piloto você quer fazer horas de hangar, que é ficar sem fazer nada no hangar para fazer contatos na aviação. O networking. Foi ele inclusive que me fez comprar nosso 1º helicóptero. Como eu não tinha dinheiro fiz um financiamento em um banco, que não foi fácil, e consegui o crédito para meu primeiro helicóptero, onde fiz as aulas de voo e consegui meu primeiro contrato com uma rádio em SP. Os relacionamentos foram aumentando e consegui novos clientes.

Qual o aprendizado que ficou nessa jornada?
Sempre digo que sócio é bom, mas número ímpar e menor que dois. (risos). Mesmo porque comigo nunca deu muito certo. Desde 2003, quando fiquei sozinho, a empresa decolou. Hoje temos 12 helicópteros, 4 aviões de frota própria, em dois hangares no Campo de Marte, zona norte de São Paulo, o que é muito difícil nessa área.

Quais dicas você pode dar para os jovens empreendedores?
Olha, a gente para ser empreendedor não pode fazer muita conta (risos). Costumo dizer que o empreendedorismo você tem que ter no sangue, gostar do que faz. Sempre falo para os meus pilotos: não maltratem as máquinas porque elas podem ser de vocês um dia, porque os dois únicos empregos que tive como piloto, as máquinas foram minhas depois. Empreendedor tem que ser meio louco também (risos), porque senão vai ser empregado a vida inteira. Isso significa você ter um cliente só, o que é fim. A pulverização é uma coisa saudável. Se eu tivesse apenas um contrato, ficaria desesperado.

Mas a concorrência é sempre grande, não é?!
Com certeza. Apesar de estar no mar de concorrentes você tem que sonhar grande e acreditar. É importante ter feeling e sempre ouvir mais de uma opinião. Até hoje eu olho para o meu braço direito, a gente discute se um negócio é bom ou não, às vezes arriscamos, outras não. Sempre digo que para um negócio dar certo você precisa tentar algumas vezes, porque se você desistir na primeira oportunidade você não chega lá.

Em 12 anos, frota tem 12 helicópteros e 4 aviões

2 comentários

  1. celso salgado disse:

    Parabéns comandante Bittarpela garra e perseverança na conquista dos seus ideais.

  2. SIMONE PRADO PASTORE disse:

    OI, AMIGO JORGE , VC PRIMEIRO ESTOU AQUI PARA DAR PARABÉNS , PELA SUA PROFISSÃO , NÃO SEI SE VC LEMBRA DE MIM , FUI SUA VIZINHA DE BAIRRO STA CECILIA , ONDE EU, MORO AINDA ERA AMIGA DO DIRCEU HARDER DO SEU PREDIO ONDE VC MORAVA, TEL 95796-3054 TIM 3222-9953 ESPERO SEU CONTATO .

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