15 jul 2015

A tempestade previsível

Não é hora de gastar dinheiro descontroladamente; ideal é saber onde aplicar a grana que sobra

Ricardo Hammoud (*)

A crise chegou! A inflação está em alta, os juros voltaram para a estratosfera, o desemprego bate à porta de milhões de brasileiros, muitas empresas (grandes e pequenas) fecham as portas e as perspectivas são de uma piora no cenário.

Os bons economistas avisaram que o modelo econômico do governo, que havia funcionado durante o período de bons ventos externos, havia se esgotado desde a crise de 2008. O governo não escutou, e agora os cidadãos que trabalham e pagam impostos têm de quitar a conta do governo perdulário.

Não adianta. As leis econômicas são implacáveis. Elas não são de direita nem de esquerda, neoliberais ou social-democratas. E não funcionam distintamente aqui ou na Suíça. Não se pode gastar mais do que se ganha por longos períodos. O governo e os brasileiros gastaram mais do que ganharam. Chegou a hora de pagar a conta.

O ajuste será longo e doloroso para todos os brasileiros, menos para os que recebem diretamente do Estado. Agora é a hora de gastar menos. O governo deveria ser o primeiro a iniciar o processo de aumento da poupança, cortando os seus gastos. No entanto, isso não parece muito provável. A conta cairá, majoritariamente, sobre nós, pagadores de impostos. Isso virá na forma de maiores tributos, inflação e perda da renda. Isso já está acontecendo e era previsível que aconteceria, cedo ou tarde.

Em 1938, ao voltar de Munich, após um acordo de paz com Hitler, o primeiro-ministro inglês Neville Chamberlain se gabava de ter evitado a guerra. Churchill, que sustentava que não era possível negociar com Hitler, disse a célebre frase: “Eles poderiam escolher entre a guerra e a desonra; escolheram a desonra e terão guerra”. Churchill sustentava que em certos momentos temos que tomar decisões difíceis, mesmo que essas produzam consequências negativas no curto prazo. Adiá-las significa um maior sacrifício no futuro.

O Brasil deveria ter feito o ajuste fiscal e monetário em 2010. Não o fez. Agora o sacrifício será maior. O Banco Central não podia ter baixado as taxas de juros com uma inflação elevada, como aconteceu em 2012. Contrariando toda a teoria econômica, assim o fizeram. Agora, para trazer a inflação de volta à meta (que já é alta), os juros terão que subir a patamares ainda maiores.

Parte dos brasileiros ainda não entendeu que o Estado não produz nada. O governo tira de Pedro para dar a João. Essa distribuição de recursos continua somente se Pedro seguir trabalhando. Quando as empresas e as famílias param de produzir, os recursos ficam mais escassos e a receita do governo diminui.

O governo não pode gastar mais do que sua receita indefinidamente. O aumento dos gastos e a diminuição da receita, combinados com a alta da inflação, trouxeram a gigante crise que nos encontramos agora. Infelizmente, chegou a hora de pagarmos a conta, e ela tem sido paga pelos trabalhadores e pagadores de impostos.

As empresas e as famílias devem se preparar para um cenário ainda pior no próximo semestre. É o momento de diminuir os gastos e fazer investimentos financeiros que os protejam das intempéries. Existem diversas aplicações financeiras que trazem segurança, protegendo seu dinheiro da inflação e do aumento dos juros.

Os LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito Agrícola) tornaram-se menos atrativas, pois o mercado imobiliário e agrícola sentiu a crise. O Tesouro Direto, no qual você compra títulos do governo, é o mais indicado nessa ocasião, principalmente títulos que estejam atrelados  à inflação ou a taxa Selic.

Muitas ações estão baratas. Se você pensa em um investimento de longo prazo, esse é um bom momento para comprar.  Um planejador financeiro saberá lhe ajudar a fazer isso. E lembre-se: a crise que muitos achavam que  iria começar, não tem data para acabar.

 

 

Ricardo Hammoud é Doutor em Economia, coordenador e professor da Strong ESAGS e consultor de finanças pessoais.

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